domingo, 4 de Outubro de 2009

Nojo

Não existe palavra que melhor descreva o meu sentimento perante aquele negócio que se anda a desenrolar, a altas horas da noite, na Sic Mulher.

Assim começa mais uma rubrica ninja, que tentarei repetir no futuro, pois material não me falta. Refiro-me à rubrica "Programas tipo bróculos". Tentarei, com um rigor assertivo, expor aquilo que no meu prisma de visão, me parece um crime estar sequer a passar na televisão com a designação de "programa". Bróculos, porque ninguém no seu perfeito juízo gosta desse vegetal que os demónios usam como desodorizante.

O programa de hoje, é o "Talk Sex With Sue".

A Sue é esta senhora:


Durante um zapping, capturei durante uns milésimos de segundo uma imagem semelhante a esta, e o meu corpo deixou imediatamente de responder. Fiquei numa espécie de transe, em que estava completamente consciente, mas não conseguia controlar nenhum músculo. Nem as pálpebras. O meu corpo ficou completamente rígido e imóvel. Vulgo "estado-de-choque".

Esta senhora é a anfitriã de um programa que fala abertamente sobre sexo. Fosse ela 200 anos mais nova, e não tinha nada contra, até aplaudia. Mas ela não tem menos 200 anos, ela tem sim mais 400 em cima dos seus já 1700. Foi ela quem orientou os Reis-Magos em direcção a Belém, e lhes explicou onde ficava o clítoris.
Esta senhora, supostamente, é um supra-sumo da anatomia sexual de ambos os géneros, e ainda domina amplamente a psicologia da mesma área. Supostamente. Porque ela não faz a mínima ideia do que está para ali a dizer. Só que a Sue, fala com uma altivez e segurança que parece mesmo que sabe do que está a falar.

As pessoas ligam porque tem graves problemas disto ou daquilo, ou só querem tirar dúvidas. Ao longo do programa, comecei a reparar numa certa consistência de "falta total de lucidez" no que diz respeito à relação que os homens tem com vibradores.
Uma mulher liga para lá, porque tem um "Mr. Pleasure 25 inches" em casa e o marido não acha piada. Os conselhos dela são do mais estapafúrdio que alguma vez no planeta Terra alguém se poderia lembrar. Senão note-se o conselho que ela deu à tal mulher que ligou a pedir ajuda neste assunto:

"Tem que introduzir (?!) o vibrador na sua relação sexual, mesmo que ele não queira! Ligue-o e passe-o pelo corpo dele! Os homens ADORAM. Sim, claro que tenho a certeza! Passe-lhe pelo pénis, pelo recto, testículos, no espaço entre os dois anteriores, nos sovacos, nos mamilos... Em todo o lado! Vai ver que ele vai ficar tão excitado que só vai querer rasgar-lhe a roupa toda."

Então não é? Quem me dera a mim ter uma relação semi-homossexual, completamente perturbadora, com uma pila de plástico cheia de veias salientes. Nada me faria mais feliz. Só mesmo se o pudesse levar a jantar, aí então era o êxtase.
Mas a mulher sabe o que está a dizer?! É óbvio que não. E depois, insiste em pronunciar exagerada e repetidamente as palavras penis e rectum.

E quem liga, tem cá uns daqueles complexos...
Como aquele que ligou a perguntar se era errado masturbar-se a ver um filme pornográfico que ele comprou, porque a mulher só faz sexo com ele uma vez por mês. Vou arriscar um "não, e arranja uma mulher e não um frigorífico".

E claro, a outra senhora que perguntou se por ter sexo anal era possível engravidar.
Quando eu já estava a achincalhar mentalmente a mulher, não é que a resposta dela é "pode acontecer porque quando vocês o fazem, tu estás à doggy-style e se ele ejec"...
Não tenho coragem de continuar porque isto é demasiado nojento até para os meus padrões. Digamos apenas que no entender dela podia existir gravidez ela se mantivesse naquela posição e ele ejec... Não tenho mesmo coragem.
E uma mulher com 2100 anos NÃO DEVE em nenhuma circunstância conhecer o termo doggy-style. É que isso nem sequer existia antes de expirar o prazo de validade dela, o que deve ter acontecido à cerca de 2050 anos.

Não esquecendo também a senhora que liga porque o namorado gosta que ela lhe faça sexo oral, mas ele apresenta um odor desagradável no pénis.
Sue, se não te importas vou tomar iniciativa de responder a esta:

DIZ AO TEU NAMORADO PARA SE LAVAR, OU ARRANJA UM QUE NÃO GOSTE DE VIVER COM O MESMO NÍVEL DE HIGIENE DO QUE UM CAMIÃO DO LIXO!

Termino como comecei: nojo.

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Sei que me vou odiar mais tarde, mas...

Outro dia estava com problemas de Internet. Como sou uma pessoa com classe, contactei a empresa via o seu fórum, visando insultar alguém que não tinha culpa nenhuma e só trabalhava lá.
Deixei a minha mensagem, com os habituais "isto é inadmissível, já tive melhor recepção em Saturno usando serviços da concorrência, deviam ter vergonha" etc.

Dois dias depois, recebo uma mensagem de um utilizador eufórico e com problemas idênticos. Aparentemente, ele tinha a solução para mim. Vou encurtar a mensagem, para expor só as partes principais. Ela está tal como ele a escreveu, e toda ela é verdadeira:


"RECLAMA PARA LA , MAS RECLAMA A SERIO TIPO 50 VEZES VAIS VER QUE FICAS COM NET HA BORLA COMO EU.

LIGUEI A UM DOMINGO 53 VEZES , TIVE TODA A NOITE 2 MB , 3MB , AS 08.10 DE SEGUNDA AINDA TINHA ESSA VELOCIDADE.

AS 08.20 LIGA O TECNICO PARA O DESPITES , E JA TINHA OS 10MB, EU DISSE-LHE ASSIM

CITO , SR TECNICO O CLIENTE NAO ESTUPIDO ALGUM , NAO FACAM DE MIM PARVO PORQUE SEI QUE HA 10 MINUTOS ANTES DE ME LIGARAM PUSERAM ISTO A FUNCIONAR COMO DEVE SER.
QUANTOS DIAS VAI FICAR BOM DESTA VEZ .
SEI PORQUE ESTAVA A TESTAR ANTES DE LIGARAM , TODA A NOITE E O FIM DE SEMANA NESTA PORCARIA DE VELOCIDADE E QUER VER QUE EM 10 MINUTOS E RESOLVE ISTO

E O TECNICO ASSUMIU QUE HAVIA UM PROBLEMA NA ZONA

ENTAO FALEI QUE TEEM DE FAZER O DESCONTO

PASSARAM PARA AS FACTURAS E A GAJA LEU O RELATORIO DO TECNICO E VOILA DESDE JANEIRO 2009 INTERNET HA BORLA E ESTAMOS EM AGOSTO

LIGO UMA VEZ POR MES PARA FAZEREM O ACERTO DA NET.(PORQUE ELES ESQUECEM-SE
AGORAS TENHO 4MB AS VEZES 5MB , MAS NAO PAGO

PALAVRA DE ORDEM :QUE RECLAMA ATE HA EXAUSTAO 16990 PORQUE FUNCIONA , COMIGO FUNCIONOU
RECLAMEI TANTO QUE O SUPERVISOR SE OFERECEU PARA CANCELAR O MEU CONTRACTO COM FIDELIZACAO

RECLAMA QUE FICA HA BORLA"


Ora bem, apesar das óbvias boas intenções do indivíduo, não pude deixar de reparar em certas particularidades.

Este senhor passou uma noite inteira, de caneta e papel em riste, a marcar traços. Contando o número de vezes que ligou para o apoio técnico. Número esse que atingiu o número exacto de 53 vezes. Não foram para aí 50, foram 53 (ponto).
Acrescido, durante a noite em questão e para além disto, escreveu um relatório pormenorizado em que indica a velocidade da sua Internet e as horas da ocorrência. Velocidade essa que era de 3Mb, precisamente às 8:10h da manhã. Muito provavelmente após uma longa noite pressão psicológica.
Sim, porque se ele não escreveu um relatório, e se lembra que em Janeiro (e nesta altura era Agosto), das horas, velocidades, o número de vezes que ligou para o apoio, e ainda se lembra o suficiente para citar o que disse ao técnico... Então isto ainda é mais estrambólico do que se perfilhou.

E não se esqueceu de falar no desconto. Note-se como não disse "não me forneceram o serviço, não pago". Não. "Eu pago se me derem desconto", assim está bem. Não sou de estereotipar (até sou), mas isto foi mesmo à bom Português.
Já para não falar do "HA BORLA". Não me vou referir aos erros gramaticais, isso não faz de ninguém mais pequeno que outro, mas a "BORLA" definitivamente fá-lo mais "TUGA".
Mas vai daí até não, porque note-se que até empregou vocábulos técnicos estrangeiros em "A GAJA LEU O RELATORIO DO TECNICO E VOILA".
Retiro o que disse.

Mas não se ficou por aqui. Ainda liga uma vez por mês para lhe fazerem o "ACERTO DA NET". Ora e porquê? "PORQUE ELES ESQUECEM-SE".
Ora pois claro que sim. A empresa em questão, tem funcionários cuja única função estar em frente a uma tabela computorizada, com o poder de "acertar" a velocidade dos milhares de utilizadores que estão com ela incorrecta, e castigar aqueles que lhes apetecer. São deuses cibernéticos. Já os imagino lá no seu cubículo a dizer "Ah vais ver porno e és casado?! Já te lixo! Fica já sem net!". Carregam num botão e já está. De certeza que é o que acontece. E aposto que se divertem imenso. São aqueles que nos cancelam a ligação quando estamos mesmo quase a concluir a declaração do IRS e não gravámos antes.
Já no caso dele, como refilou, o caso muda de figura. O mesmo funcionário está lá e de repente lembra-se "Ei, não fiz o acerto do Sr. X por esquecimento! Fiz de tanta gente, como é que me fui esquecer! Estamos tramados, vai ser outra longa noite! Deixa-me já tratar disso antes que ele ligue!".

Mas ele provavelmente liga na mesma. É que eles esquecem-se.

De certeza que este indivíduo também usa um chapéu de papel de alumínio, para o Governo não lhe ler o pensamento e só come enlatados para não correr o risco de ser envenenado pela D. Genoveva do Super-Mercado, que não engana ninguém e é da P.J.

Estou a ser mauzinho, e muito, eu sei. A intenção dele foi genuína e generosa, portanto acho melhor deixar aqui uma mensagem pessoal para finalizar.
Cá vai.

Caro utilizador, que no teu perfil do fórum tens a informação:

Grupo: Members
Posts: 12
Registado: 29-May 09
De: NA LUA
Membro No.: 1586

Não tenho a menor dúvida que é de lá que vens.

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Nem à katanada gosto de lá entrar

A minha casa é a figura encarnada da Lei de Lavoisier: Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

Aqui em casa é igual. Nada vai para o lixo a não ser que seja mesmo necessário. Assim sendo, acumula-se tudo na cave.
É o único lugar do planeta onde a resposta à pergunta "Onde guardas as bicicletas?" passa por "Entre as armaduras do meu tetra-tetra-tetra-avô e a Arca-da-Aliança".
A quantidade imensurável de caixotes de plástico e cartão que "podem vir a dar jeito" definem as paredes da cave e, por esta altura, já vivem em simbiose com a própria casa. A amálgama de objectos inúteis encaixotados, móveis velhos e lixo, com o passar dos anos, fundiu-se com uma consola de jogos antiquíssima minha. Que apesar de, pela altura em que foi posta de parte, ser apenas uma caixa de plástico preta com botões e com os circuitos totalmente partidos e soltos lá dentro, foi também guardada, porque "um dia ia ser arranjada e eu ainda ia querer jogar nela de novo". Claro. Quem não ia ter saudades da época em que controlava um quadrado, que disparava rectângulos a outros quadrados. O "Guerras Geométricas" como eu lhe chamava.
Dessa fusão entre aquela escória plastificada e todo o resto de porcaria desnecessária, surgiu uma massa disforme e autónoma, que se enraizou nas fundações do edifício e que se diverte a jogar Tetris com os amontoados de caixas que lá são armazenados diariamente. Antes de os ingerir ruidosamente.

Qualquer objecto que se arrume por lá, se não for recuperado nas primeiras 24 horas, fica com as hipóteses de ser reencontrado reduzidas para cerca de apenas 10%.
Ao fim de 48 horas, a enorme massa de entulho mutante que lá habita, lança os seus braços (feitos de caixas e brinquedos antigos de praia) em volta dele e então é o adeus: já foi completamente assimilado pelo monstro.

Daí que eu abomine veementemente, quando me pedem a mim para ir lá abaixo ligar o esquentador.
Primeiro, porque os meus pais estão tão afeiçoados e são de tal maneira diligentes com as relíquias que por lá guardam, que mandaram instalar um scanner de retina à porta da cave. Em minha casa, é mais fácil roubar televisões, leitores de DVD, computadores ou qualquer outro electrodoméstico, do que uma termos de café com 40 anos.
E segundo, porque quem partiu a consola toda, obviamente fui eu, e ela gosta sempre de me cuspir telhas velhas de cada vez que desço ao seu covil.

O entulho mutante alicerçou-se de tal maneira, que quando eu ia a sair para a escola ouvia sempre:

- Diverte-te em Geometria, saco-de-órgãos!

E quando finalmente respondi que não tinha essa disciplina, uma telha saltou do telhado, na minha direcção.

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Ajuda-te a ti próprio primeiro...

Mas quem é que me manda armar em bom-samaritano?
Outro dia, na rua, começo a ouvir uns "excuse me, excuse me". Que para quem não sabe, significa "sou como um boi almiscarado e o meu telemóvel é da Nokia".
Menti, significa sim "tenho um couro cabeludo que parece uma couraça ferralítica".
Menti de novo, e esta piada já foi longe demais. Se não sabem o que quer dizer, peço desculpa, mas agora também não tenho tempo para explicar.
Onde é que eu ia? (Como se eu não soubesse, isto é escrito... Bastava ter olhado para cima em vez de me armar em estúpido). Ah sim, já me lembro! (Continuo a armar-me em paspalho).
Portanto, "excuse me, excuse me".
Voltei-me. Era um sujeito nitidamente estrangeiro, pois usava chapéu à cowboy, casaco laranja, e cheirava a pólvora e especiarias. Pensei eu que, sendo o mês Agosto, era um turista que queria pedir informações. Ávido de testar o meu inglês com alguém que o tinha como língua nativa, dediquei-me à causa e fui extremamente solícito:
"Oh yes, dear sir, how may I help you on this fine August day? Need directions? The local Cathedral is nearby, and so are some skanky, dirty prostitutes."*1

Estupidez descomunal. O tipo queria impingir-me um livro qualquer, que era uma espécie de Bíblia de uma seita que nunca ninguém ouviu falar. O gajo era extremamente simpático, e fartou-se de elogiar o meu inglês, que é francamente excelente. Ainda para mais sendo ele americano. Mesmo assim não me estava a convencer, como devem imaginar. Mas ele lá continuava a falar, tentando vender o seu peixe:
"Blá blá blá, we drink blood*2, blá blá blá, raping hamsters with forks*3, blá blá blá, we live on lego houses*4..." etc.
Um discurso que nunca mais terminava, durante o qual, para além disto, ainda referiu que me estava a oferecer o livro e que não queria nada em troca pois que estava a ajudar o pessoal que o produzia. Ah, e que usavam cuecas florescentes do Star Wars.
Este último argumento até me fez duvidar durante uns segundos. Mas, e adivinhando imediatamente, a minha namorada deu-me logo um tabefezito na nuca e eu acordei para a realidade. Além disso, só uso boxers.
Bem, o discurso continuou, insistindo que não queria nada pelo livro. Até o folheou e me explicou porque é que tinha imagens de cangurus a espancar astronautas com broas ou de homens só de galochas a regar vasos.

Quando aquilo chega a pontos em que eu já divagava sobre tomar uma dose fatal de estricnina a ter de o continuar a ouvir, finalmente ele termina e sai-se a pedir uma "small donation"*5. Já estava à espera... Queria insultá-lo, dizendo-lhe que tinha a inteligência de um nenúfar, mas ele provavelmente ia mostrar-me a imagem de um porco usando um como saiote e a fazer balet.
Obviamente que lhe disse que não havia "donations" para ninguém. Então, o tipo tem a audácia de me tirar de novo o livro e ir embora... Para voltar passado 30 segundos e me perguntar:
"Erm... About those prostitutes..."*6
Ao que eu respondi:
"I'll tell where, for a small donation."*7

Que péssimo dia para ter deixado as matracas em casa.


Traduções:

*1: "Sim, caro senhor, como posso ajudá-lo neste excelente dia de Agosto? Precisa de direcções? A Catedral está perto, assim como algumas prostitutas sujas e rançosas".
*2: bebemos sangue.
*3: violando hamsters com garfos.
*4: vivemos em casas feitas de Lego.
*5: pequeno donativo.
*6: "Erm, sobre daquelas prostitutas...".
*7: "Digo-te onde, a troco de um pequeno donativo".

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Pigmentos nacionais era o nome da loja

Gosto de me divertir a imaginar situações ridículas, com personagens patéticas. No outro dia lembrei-me de pôr um completo e assumido racista a trabalhar numa loja de decoração de lares:

Cliente: Boa tarde.
Funcionário Racista: Saudações arianas. Posso ajudá-la de forma nacionalista?
Cliente: Ahh, acho que sim... Mudei de casa, preciso de pintar as divisórias e mobilá-la. Gostava de ver de tudo um pouco. Podemos começar pelas tintas para pintar.
Funcionário Racista: Olhe, pode optar por esta aqui, chama-se Preto-filho-da-puta.
Cliente: ???! Ok... Essa é um bocado escura demais, não tem nada com mais... brilho?
Funcionário Racista: Ah, como a compreendo, a sra. obviamente tem bom-gosto. Também temos este amarelo-peido-à-chinoca, se calhar está mais do seu agrado.
Cliente: Não estou muito satisfeita com a ideia de pintar a minha sala com peido, mas a côr nem é má. Mas não compreendo os nomes das tintas.
Funcionário Racista: É só uma referência minha, para ajudar a distinguir. Essa côr é de deixar os olhos em bico... Isto é só uma piadita que digo sempre...
Cliente: Hilariante, por dentro estou às gargalhadas. Que mais têm?
Funcionário Racista: Bom, temos este vermelho-sangue-de-judeu, o azul-pólvora, que me faz lembrar os meus tempos de limpa-chaminés...
Cliente: Limpa-Chaminés?...
Funcionário Racista: Chaminés era o nome que nós dávamos aos indivíduos negros, e o limpa... Bom, acho que já percebeu. Daí que a pólvora me lembre...
Cliente: Já compreendi. Ouça, e se quiser pintar uma parede de côr diferente, dentro de uma divisória?
Funcionário Racista: Nem pense nisso minha senhora, cada quarto de cada côr! Senão que missogenia! Um quarto assim era um atentado para a nação.
Cliente: Ok, sabe, eu trato disso depois. Mostre-me o que tem de decoração por favor.
Funcionário Racista: Temos aqui esta estatueta que representa o Holocausto. Bons tempos. Como pode ver retrata um nazi a obrigar um judeu a comer brócolos e couve-flor. Um pouco áspero para um estômago mais fraco, mas uma bela obra-de-arte.
Cliente: Eu volto noutra altura.

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Só não é engraçada

Amigo 1: Queres ouvir uma piada?
Amigo 2: Claro, claro.
Amigo 1: AAAAHHHH!
Amigo 2: O que é isso?
Amigo 1: É o último grito da moda.
Amigo 2: Ela está a morrer?

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Katanada da Salto-Alto

A minha namorada, ao longo do nosso tempo de namoro, tem vindo a verificar uma certa consistência de comportamentos por minha parte, que a levou a tirar uma determinada conclusão. Generosamente, eu acedi a deixá-la publicar isso aqui no blogue. Portanto, hoje fico-me por aqui. Deixo-vos, sem mais demoras, à mercê das palavras da Salto-Alto, na certeza de que haverá retaliação.

André Ninja Costa


Pronto, uma gaja já não pode reclamar com o gajo que se vê logo obrigada a partilhar uma lista de queixas. Como estou habituada a estas lides alinhei e aqui publico as Razões pelas quais eu acho que o André é um velho de 65 anos preso no corpo de um jovem de 24 anos:
  • Utiliza o termo "mercê";
  • Não pára de falar nos benefícios do iodo quando vamos à praia;
  • Mal saímos do centro da cidade começa logo a respirar com mais força e a dizer "ah, que bem se está no campo! Muito mais saudável!";
  • Quando quer fazer valer o seu ponto de vista, tem sempre um ditado popular na ponta da língua;
  • Se aparece na televisão uma gaja nua, depois de a apreciar convenientemente, já está a perguntar "Isto dá a estas horas? Quando era miúdo para ver uma gaja nua tinha que me fechar no quarto para ver o "Água na Boca" às escondidas!";
  • Lembra-se do programa "Água na Boca";
  • Quando vê uma miúda com menos de 14 anos na rua, quase de mamas à mostra ou de mini-saia muito curta, começa a resmungar "Se fosse minha filha nem de casa saía" e quando lhe pergunto como ia fazer isso, responde-me "perguntava-lhe se queria ser confundida com uma pêga rançosa";
  • Insiste em levar o carro para ir à padaria... Que fica a 30 metros de casa;
  • Hoje cheguei a casa e estava a ver "O Preço Certo" e mal me vê exclama: "Olha só para as coisas que lhe deram!" (note-se que era um presunto e vários galhardetes);
  • Sabe de cor a música dos genéricos dos "Transformers" (sim, os bonequinhos), do "Conan - The Adventurer", do "Capitão Planeta", das "Tartarugas Ninja" e tem a amabilidade de fazer a coreografia - inventada por ele - que se limita a socos e katanadas em inimigos imaginários;
  • Ainda é do tempo em que o Rambo tinha menos de 80 anos e ainda fazia os próprios filmes;
  • Sabe como se joga à malha.

(eu queria deixar aqui publicitado que o André não me deixou utilizar a cor roxa no meu texto porque, e cito-o: "Não quero cá cores paneleiras no meu blogue". Uma jóia de moço.)

Beijocas, Salto-Alto (isto também devia estar a roxo)

domingo, 19 de Julho de 2009

Teoria do flato

Outro dia, estava à conversa com o meu irmão, e puff. Não era Chocapic, foi mesmo ele que se descuidou. Logo após tapar devidamente as narinas, enquanto ele agitava os braços para "empurrar" o cheiro na minha direcção, conversámos sobre mulheres e mais não sei o quê, e foi quando surgiu esta ideazita. A qual aproveitaria para lhe agradecer, mas não o farei. Isto porque ele não lê blogues, argumentando e justificando o porquê disso com "eu faço sexo regularmente". Apesar de eu saber que volta e meia lá anda ele a ler o que escrevo e a dizer "Ai André, André! Tenho tanto para aprender contigo, maninho".

E então, a ideia é a seguinte, e lá mais adiante já vão compreender porque comecei com o puff.
Ao longo da História, o homem (e refiro-me ao sexo masculino, e não a toda a humanidade) regra geral, tem vindo progressivamente a tornar-se menos e menos violento na resolução de conflitos. E a culpa é das mulheres!

Na época do Homo-Sapiens, se o vizinho me tinha roubado o javali, dava-lhe uma traulitada na cabeça com um qualquer utensílio manufacturado e transformava-o em mobília. Então, a mulher queixou-se: "Nem penses que me vou sentar em cima do Krotingas! O tipo fede a mamute!". Então, o homem passou só a dar as traulitadas.

Saltamos no tempo, para a Idade Clássica, e posteriormente para a Idade Medieval. Andava-se à espadada por tudo e por nada. Nas cruzadas, andávamos às turras com os Mouros. Persistiam as traulitadas, mudou apenas a engenharia dos utensílios, portanto. Bons tempos. Então, a mulher falou: "Nem penses que te vens sentar à mesa cheio de sangue de turco na armadura! Já está na altura de cresceres, estamos nos tempos modernos.".

O homem cede. Enquanto passámos, efectivamente, pela Idade Moderna, aperfeiçoamos o uso das armas de fogo, para podermos matar à distância e não termos que ouvir os queixumes das mulheres. Chegamos ao cúmulo de já nem sequer podermos dar sopapos uns nos outros, temos que usar uma luva branca e esbofetear o adversário com ela... Então, ainda não contente, a mulher falou novamente: "É que fedes a suor! Fedes! Com esses duelos de armas todos, ficas todo nervoso e vens todo suado para casa! É a suor e a pólvora! Isto tem de acabar..."

E assim prossegue a História, até chegar aos nossos dias. Com tanto azucrinar, já não podemos fazer nada. Andar aos tabefes é uma estupidez. Brincar com pistolas de plástico é uma infantilidade. Só temos o nosso último reduto, as flatulências. Não é infantil, como as mulheres dizem, achar piada só à palavra peido. De facto, os gases são o último mediador de conflitos autorizados pela sociedade moderna. Estamos reduzidos a ver quem dá o traque mais barulhento ou a bufa mais fedorenta. O vencedor é aceite e o seu ponto de vista valorizado sem mais discussões. Aliás, ainda nos rimos por cima.

Daí que, a cultura da flatulência seja tão valorizada entre os machos. Temos uma boa percentagem de vocábulos para nos referirmos a eles, pois existem diferentes tipos. Vou expor os três principais:
- O Traque, é a forma de flatulência que vai buscar o seu nome ao som "Trrrrráááá!" que produz ao ser expelido. Apresentam um nível de odor mínimo, mas fazem uma barulheira descomunal;
- A Bufa, é de todos o mais letal. Também o nome deriva do ruído característico que produz a ser expelido, que se assemelha a um sopro. O nível de odor é máximo, e na maior parte das vezes, é completamente imperceptível para o ouvido humano. Ideal para ganhar argumentos ou conseguir aquele lugar no autocarro. São os meus preferidos, porque são autênticos Ninja-Flatos e porque são irónicos, pois apesar de quase sem barulho, arrumam com qualquer traque. Tipo o Yoda em Star-Wars;
- O Peido ou Farpa: É uma mistura de ambos os géneros anteriores, apresentando níveis intermédios de odor e de ruído. É consistente.

Posto isto, aturámos as mulheres a refilarem de tudo o que for preciso, mas o flato é sagrado. Vamos lutar, se for preciso, para mantermos o nosso direito ao peido! E se o tivéssemos feito há uns milhares de anos atrás, ainda andávamos com mocas de madeira ao cinto.

E então, já compreendem o puff? É que só havia um único Kinder-Bueno quando comecei a conversa com o meu irmão. Ele ganhou-o, e até à data, continua imbatível. Mas eu vingo-me! Há uma semana que só como feijões e ervilhas.

terça-feira, 14 de Julho de 2009

Castração verbal

Amigo 1: Então, como anda a tua vida amorosa?
Amigo 2: Nada famosa.
Amigo 1: Que se passa?
Amigo 2: A minha namorada é um bocadinho... Peculiar. Gosta de fazer analogias com fauna e flora, em pleno acto sexual.
Amigo 1: ?? Como assim?
Amigo 2: "Somos como duas partículas de plâncton, em plena união simbiótica, à deriva num oceano de amor profundo!". Assim.
Amigo 1: Isso é perturbador de muitas maneiras.
Amigo 2: A quem o dizes. Mal consigo dar conta do recado. O meu plâncton duro passa logo a plâncton inerte e morto.
Amigo 1: Então, e que tal tem corrido a relação?
Amigo 2: Que achas? Experimenta tu ouvir "Degusta-me da mesma forma que o leão devora a pura gazela!" e manter isto erecto. Já para não dizer que fico confuso, nem sei se ela quer que eu a morda ou lhe dê uns tabefes na cara. E pára lá de rir!
Amigo 1: Desculpa, desculpa, mas isto é mesmo muito bom... Hahahaha...
Amigo 2: Não tem piada! Quando estou quase a ter o orgasmo ela diz-me "Sim, sim, és como um vulcão suave e carinhoso a entrar em erupção de puro êxtase, e eu sou a terra bravia que vais desflorestar com a tua actividade magmática!".
Amigo 1: HAHAHAHA! Ok, ok calma, não te zangues... Mas realmente nunca ouvi semelh... HAHAHAHA!
Amigo 2: Queria ver se fosses tu!
Amigo 1: Tens razão, falar é fácil... Olha lá, e ela tem orgasmos?
Amigo 2: Claro, era impossível não reparar. Ela imita uma catatua-das-molucas sempre que o atinge.
Amigo 1: Não sei se me ria ou se chore...
Amigo 2: Deixa-me ajudar-te a decidir!
Amigo 1: Ei, calma, não me dês murros! Envergonhas-te a ti próprio... Afinal de contas ainda andas com ela porquê?
Amigo 2: Porque apesar de tudo aprendo coisas novas. É como ir para a cama com o Discovery Channel.

sábado, 27 de Junho de 2009

Pénis para que te quero

Acho que os homens, por natureza, são mais imaturos que as mulheres. Digo isto porque, primeiro, as mulheres que lêem este blogue ficaram já de "papo-cheio", e convém agradar à clientela. E segundo, porque apesar de serem mais imaturos, são também mais divertidos.
Tudo começa à nascença. Às meninas é dada uma vagina que, até entrar em actividade, é enfadonha. É claro que mais tarde se torna num parque de diversões muito concorrido, mas eu refiro-me à infância. Os rapazes nascem e crescem agarrados a um pénis. Mal acaba o parto, já temos uma mão na boca e outra nos tomates. À saída do ventre provavelmente já os vinhamos a coçar e já demos umas tapas nos rabos das enfermeiras.

E a diversão começa na casa-de-banho. O simples de facto de podermos apontar é a galhofa generalizada. Crescemos a fazer concursos sobre quem mija de mais longe da sanita e fazemos lutas de espadas com o jacto de urina. Enquanto fazemos efeitos sonoros verbais, imitando os sabres-de-luz de Star Wars. Já as meninas, fazem o quê? Nada, lamento. Queixam-se da esterqueira que os irmãos deixaram na sanita depois de irem lá dar uma mija com os amigos.
Exactamente, eu estabeleço uma ponte entre a nossa melhor capacidade de diversão com o nosso pénis. E isto vai-se repercutir no futuro de cada um dos sexos.
Daí que, por exemplo, eu nunca destranque o carro sem antes gritar "Power Extreme", enquanto adopto uma power-stance imitando o He-Man: pernas abertas, braço no ar. Só que em vez de uma espada tenho a chave do carro e em vez de ficar com armaduras quiméricas fico só com mais estilo.
Claro que a minha namorada não entende. E apesar de ter aguentado olimpicamente, com riso, as primeiras manifestações, agora só revira os olhos e suspira enquanto leva a mão à testa. Isto porque, claro, ela nunca teve mais nada com que se entreter do que com uma vagina, durante a infância. Porque convenhamos que imitar o He-Man e gritar o mesmo que os Centurions (desenho-animado da minha infância que via agarrado ao pénis) sistematicamente é, no mínimo, fora-de-série.

Querem mais exemplos? Como não estavam aqui quando escrevi isto, vou assumir que a resposta seria "Quem és tu, e que estou a fazer no teu quarto?!". Ignorando isto, vou dar mais exemplos.
Um homem, sempre que é incumbido de uma tarefa seja ela qual for, está perante uma missão de alto-risco a cumprir. Vou de novo dar um exemplo pessoal: a minha namorada pede-me para ir buscar a bolsa dela ao carro. A primeira coisa que faço é ir imediatamente comprar uns walkie-talkies e uma pistola "à Rambo". Isto porque, a seguir, eu vou resgatar a lendária Bolsa de Karamandá, possuidora de poderes assombrosos. E preciso de apoio via rádio. Após umas piruetas, cambalhotas, rastejamentos e tiros imaginários disparados sobre quem na rua passava enquanto lhes digo "morre porco", estou abeirado do veículo. Faço a pose, grito "Power Extreme", destranco o carro e procuro a bolsa. Como não a encontro, saco do walky-talky, cuja compra já está justificada, e digo: "Negativo para confirmação visual do artefacto. Aguardo ordens, escuto.". Ao que a minha namorada responde: "Andas outra vez a imitar o Rambo, não andas André?". Eu digo: "Não, ia imitar os "Pequenos Póneis", espera lá. Escuto." E nesta altura reparo que ela está atrás de mim, e que eu estou prestes a levar com o walky-talky no cérebro. O grande, pois apesar de tudo ela gosta de mim. Depois, murmuro "Power Extreme" de novo e tranco o carro. Não faço pose, não convém abusar da apesar abundante paciência dela.

Outro exemplo, é de quando passamos por manequins femininos nas montras. Nota-se sempre perfeitamente os mamilos deles por debaixo da roupa. Eu tenho por hábito dizer "olha aquela ou está cheia de frio ou então está feliz por me ver". Incrível como as mulheres e as suas vaginas são completamente imunes a piadas porcas de cariz sexual. Parece que são vacinadas logo à nascença, enquanto nós estamos a apalpar o rabo das enfermeiras. Há muitas já aí a dizer "ah, eu cá não, até acho piada". Tretas. Vocês têm sempre um limite de javardeira que vão aguentar, e se dizer as piadas porcalhonas e mijar por fora da sanita não chegar, acreditem que nós temos mais armas no nosso arsenal. Se não acreditam, lembrem-se o nome deste blogue. Se não estivermos a imitar o Rambo, definitivamente vamos estar a imitar um ninja.

Mas claro que, na natureza, nada foi deixado ao acaso. De facto, ter pénis é sinónimo de maior diversão. Mas quando chega a idade de descobrir que afinal a pilinha não serve só para fazer xixi, só queremos brincar com ele na vagina. Ora, para a tentarmos conseguir, vamos fazer uso de todo aquele sentido de humor de que vós, nobres mulheres, tanto desprezam. Ora pois lá está... Quando acaba o divertimento do pénis, começam o divertimento da vagina. Tudo está em equilíbrio no universo.