quarta-feira, 3 de março de 2010

Como dar uma bomba a um terrorista

Ontem à noite vi o filme Ninja Assassin.
Mal vi o genérico de abertura e os meus olhos já tinham aumentado para o dobro e lacrimejavam abundantemente, enquanto me encolhia de excitação no sofá, de forma a que os joelhos me tocavam o queixo.

É o típico filme de pancada com místicas inventadas, clãs de ninjas, espadas e lutas em slow-motion, imenso sangue e completo desrespeito pela lei da gravidade e mais umas quantas da física e até da realidade. Adorei cada segundo.

Nas primeiras cenas consegui conter-me, e apenas gritei uns sonoros "UAU's!".
Com o desenrolar do filme, e já mais descontrolado, alternava entre uns espécies de ataques musculares violentos no sofá, ou andar pelo chão de casa a rebolar e aos saltos com uma vassoura.

Como devem imaginar o meu nível de entusiasmo era evidente.
Felizmente o meu colega partilhava desse meu entusiasmo frenético, então a modos que passamos o filme todo a falar do personagem principal (o Raízo), como se ele fosse a encarnação do Martin Luther King dos pontapés no cu.

Frases e diálogos deste género foi coisa que não faltou:
"- UAU, viste aquilo? O gajo arrancou-lhe os intestinos e depois decorou a árvore de Natal com eles! E nem sequer é Natal! UAU!"
"- Ei, este que apareceu agora é lixado! O Raízo vai-se ver à rasca!"
"- Ui, que técnica. Cuidado Raízo, esse é melhor que os outros!"

Já falávamos como se fossemos todos amigos de longa data, e secretamente desejava-mos ambos também ter sido abandonados à nascença e treinados por um clã ninja para matar tudo o que se mexesse e para ficar invisível nas sombras.
Outras vezes, limitava-mo-nos a olhar um para o outro com um sorriso parvo e olhos de carneiro-mal-morto (os meus ainda vermelhos do choro inicial), e faziamos um ligeiro aceno de cabeça em sinal de aprovação, sempre que era levada a cabo uma execução particularmente violenta ou espectacular.
E outras vezes ainda, testamos a sala onde estávamos, procurando cantos mais escuros onde nos aninhávamos e depois perguntávamos "então, consegues-me ver?!".

Foi, em suma, um filme excelente para qualquer fã da guerra oculta.

Quando terminou, e eu recomecei a ganhar a sensibilidade nos membros devido a todo aquele esforço físico requerido para o decorrer do filme, o meu colega perguntou:

- Então André, gostaste?
- O meu nome é Raízo, mestre das sombras.
- Nem penses, o Raízo sou eu!
- Não és digno! Aposto que nem sabes quantos outros ninjas é que ele matou no filme!
- 673, ha!
- Raios!

E foi então que começou uma discussão acesa para decidir quem efectivamente é que era Raízo, o mestre das sombras.
Como não chegamos a nenhum entendimento, e imbuídos do espírito do filme, resolvemos fazer um duelo ninja para verificar quem é que era digno de envergar tal nome.
Uma vez que não tínhamos katanas e shuriken a pontapé, tivemos que nos contentar com o que havia: duas colheres-de-pau e palitos.

Lá nos engalfinhamos um no outro, tentando desajeitadamente espancar a testa do adversário com a colher de pau, e a atirar palitos um ao outro.
Volta e meia, quando achávamos que estávamos numa sombra, ficavamos inertes, de pé, achando imbecilmente que estávamos ocultos e invisíveis, o que valia mais um colherada bem assente.

Obviamente acabámos os dois no hospital, a dar a sensação que tínhamos sido alvo de um ataque de um clã de croquetes-ninja, tal era a quantidade de palitos que tínhamos espetados no corpo todo. Palitos esses que ainda estou para compreender como chegaram a locais tão recônditos.
Mas nem a caminho desistimos de ser ninjas, e tentava-mos constantemente evitar as luzes dos candeeiros do passeio. Tarefa que se tornou bastante árdua pois íamos de carro.

Foi um final perfeito para o filme perfeito: acabar numa maca, com uma enfermeira nada atraente e carrancuda a tirar-nos palitos das nádegas, enquanto ainda murmurávamos um para o outro, entre-dentes, "Eu é que sou o Raízo, AU!".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pensamentos soltos

Não há absolutamente nada de bom para se ver no computador quando se está nu e alguém entra no quarto. São logo tiradas as conclusões erradas. Ora vejamos:
- Pornografia = tão tarado que até tem que se despir;
- Desenhos animados = um porco com a mesma maturidade sexual de um queque;
- Ninjas = André;
- Odete Santos = sem comentários;
- Culinária = uma espécie de pervertido que ainda nem tem nome, mas definitivamente nunca mais vou comer em tua casa;
- Sintomas de herpes genital = parece-me bastante óbvio.

E eu que só estava à espera que a água da banheira aquecesse.


Se fosse contemplado com a catrefada de dinheiro do Euromilhões, fazia duas coisas:
- Comprava um carro de luxo e conduzia-o sempre acima dos 260 quilómetros horários. No caso de perseguição policial limitar-me-ia a mandar notas pela janela, com o carro em andamento, para pagar a multa.
- Durante um mês tornava-me ermita na Amazónia. No decorrer desse período usaria apenas uma tira de couro à cinta para poder segurar o telemóvel.


Comprei uma solução de salina para lavar as lentes de contacto que traz inscrições em braile na caixa. Sem dúvida tão propositado como ter toalhas de banho impermeáveis.


Existem bombas de gasolina com um autocolante, que através de imagens, tem as seguintes instruções:
- Abra o depósito;
- Abasteça o veículo (indicando o local onde enfiar a agulha);
- Dirija-se a um balcão para pagar.
Isto faz-me pensar se o número de pessoas que apenas param o carro e gritam para a bomba "ENCHE! ESTOU COM PRESSA!" e o número de pessoas que regam o carro com gasolina, será suficiente para justificar tratarem-nos como atrasados mentais graves.


Já peguei fogo a uma frigideira ao tentar fritar uma salsicha, e já transformei azeite em alcatrão. E por momentos pensei que tinha o Nobel da Química assegurado.


Faço parte daquele grupo de pessoas que quando vê televisão acena e faz expressões faciais de compreensão para as personagens da série, sem nunca dar conta disso. E também faço parte daquele grupo de pessoas que tem uma namorada que achou conveniente salientar isso e de me dar medo de ver TV à beira de outras pessoas.


Já mais alguém reparou que o Ruca anda a fazer quimioterapia?


Quando um homem é apanhado a ver pornografia fica tão atrapalhado que a sua reacção varia desde desligar o monitor e disfarçar que já estava mesmo de saída, a tentar desligar o fio do modem e deixar, toda a gente que entrou, ver com nitidez:
- Tudo o que estava no monitor a passar;
- Um triste homem com pouca rapidez de raciocínio e muito fraco conhecimento de informática.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Falsas e dissimuladas, as gajas

Estrelas femininas da pop. Algumas cantam muito bem, outras tão bem como um pato asmático, mas todas vendem a imagem (mamas e tal). E já repararam que, todas também, pura e simplesmente ADORAM escrever músicas sobre desgostos amorosos?

Mas que espécie de palhaçada é esta? Elas baseiam-se em quê para vir falar disto?
Quantos desgostos amorosos é que elas tiveram tempo de ter, tendo em conta que iniciaram a carreira aos 12 anos e por essa altura já tinham implantes e rios de massa? Que escaramuça psicológica isto me desencadeia.
A única que ainda compreendo é a Pink porque essa parece uma porca. Agora de resto poupem-me. O que é que lhes aconteceu afinal? O Coisinho não a convidou para a festa de anos dele? Se foi isso, é porque aos 7 anos os rapazes ainda julgam que a pilinha apenas serve para urinar, e que apenas são privilegiados por ter mangueira.

Mas eu sei muito bem porque o fazem, e como o fazem.
Fazem-no porque sabem que as mulheres adoram ouvir aquilo. Até deliram. Cantam-nas e dançam-nas, e algumas saem-se a dizer aos namorados "Olha que arranjo já outro como tu ali ao virar da esquina" e esquecem-se que têm o mesmo sex-appeal do que um cruzamento entre uma zebra e o Joe Berardo. E depois lixam-se, e é bem feito!
Afinal a Beyoncé sabe lá o que se passa na vida privada de cada um? Se calhar um gajo não tem sequer dinheiro para meter um ring on it, já pensaste nisso ó feminista sem causa?

E aposto que, tendo em conta que não pescam nada de relacionamentos falhados, traições e etc, contratam namoradas carpideiras para desabafar enquanto escrevem as letras:

- Não, a sério? Ele fez isso?! Na tua cama?! Que monstro! Vá, desabafa tudo enquanto me enches os bolsos com notas grossas.

E depois disto lá vem mais um single campeão de vendas, com nomes como "Porco insensível" ou "Ela claramente tem as mamas mais pequenas do que as minhas, portanto és uma besta por me teres deixado". Pelo menos é só isto que eu ouço.

E grande batalha para a nobre causa da mulher que elas andam a travar, aparecendo semi ou totalmente nuas nos video-clips, enquanto dançam de forma provocadora. Estão a tentar impressionar quem, as mulheres? Não, estão a dizer aos homens, que vêm estes video-clips com o mute activado, que são boas e que têm o coração partido.
E nós, bestinhas acéfalas que só pensam em sexo, acreditamos mesmo que "ei, eu podia tratar dela".
Sim. Porque a toda a hora estas multimilionárias pensam "quem me dera que um adolescente borbulhoso e a feder a hormonas ou um homem careca e pouco atraente a ganhar o salário mínimo me viesse resgatar da minha tristeza", enquanto se banham no seu jacuzzi personalizado que custou o PIB anual da Suíça.

E pior! As mulheres ouvem isto, passa-lhes completamente ao lado a nudez, e só pensam "É pá, a vida delas é muito mais parecida com a minha do que eu imaginava, somos iguaizinhas."
E nunca se perguntaram porque é que elas cantam isto com menos roupa do que uma actriz pornográfica.
Sei o que as mulheres estão a pensar: "Uau, é como se nos conseguisses ler a mente!". É um dom que prometi a mim mesmo usar apenas para o mal.

Acho que já desbobinei o que queria. É que já é fatigante. Já sei que sempre que uma dessas artistas abre a boca é para lembrar ao namorado que já perdeu a oportunidade com ela e que deve arrumar as suas coisas na caixa da esquerda.

Havíamos (os homens) de criar uma banda para cantar os temas opostos disto. Podíamo-nos chamar "Vaginas Assassinadas". Até já me sinto mais podre de rico.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Se não os vences... Aguenta a bronca

A minha namorada e o meu irmão não conseguem estar no mesmo quarto sem se começarem a agredir verbalmente (podem confirmar aqui). O rol de achincalhamentos mútuos é constante, e apenas suplantado por uma ainda maior vontade de gozar comigo no que toca à marmelada. Passo a explicar.

Eu gosto muito de marmelada. E aqui não me refiro à analogia para o acto sexual, do qual também sou grande amigo. Não. Refiro-me ao doce.
Com efeito, gosto muito de marmelada. Mas, de todas as que já provei, só gosto de uma marca específica: a arrogantemente auto-intitulada "Marmelada Rainha" da Costa Moreira.

Como obviamente não podia deixar de ser, quando eles descobriram, começaram a espicaçar-me e a agredir-me com chavões sobre o facto de eu ser "piquinhas" e "esquesitinho" por só gostar daquela marca.

A coisa escalou de tal maneira que agora, a simples referência a marmelada, é motivo de galhofa por um mês entre os dois, enquanto eu assisto à destruição da minha auto-estima sem poder reagir.
Com efeito, basta surgir a palavra "marmelada" numa conversa que imediatamente o meu irmão faz um teatrinho com um discurso inflamado do que supostamente sou eu a comer marmelada, enquanto a minha namorada tenta em vão conter as lágrimas e lhe relembra todos os pormenores que lhe parecem relevantes. Pormenores esses que imediatamente ele integra na sua pantomina. Estúpido.

E da última vez, que teatro esse. Estamos a jantar os três e mais dois amigos e alguém profere a única palavra no léxico português que efectivamente me mete medo. Dois segundos depois o meu irmão já está de cócoras em cima da cadeira, excessivamente curvado e agarrado a uma tigela e a uma colher imaginárias imitando o Gollum do Senhor dos Anéis, se ele comesse marmelada em vez de andar atrás do anel.

E não se ficam por aí. Enquanto a minha namorada se agarra à barriga e tenta evitar espirrar frango pelo nariz, ele ainda expõe a teoria que se existisse uma marmelada manufacturada por Deus, e enquanto toda a gente tinha desmaios de prazer por a provar, eu ia continuar agarrado somiticamente àquela tigela de "Marmelada Rainha", que nem um adolescente agarrado ao Facebook. Isto enquanto come mais umas poucas de colheradas imaginárias.

Bem, agora que as coisas andam mais calmas, esperem até saberem que comprei marmelada marca "Dia" e até a achei muito boa.

Bons dias me esperam...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Conto de fa(o)das

Acho grotescamente cretinos os ideais românticos que os desenhos da Disney nos tentam impingir. São uma montanha de tretas morais ridículas que se proferem e que em nada se coaduna com a vida real de qualquer ser-humano.

Para começar, em qualquer conto existe sempre um Príncipe. Não me venham com histórias, ele é um pervertido. Este príncipe anda de conto em conto a tentar ter relações sexuais com o maior número de princesas possível. E é um tarado da pior espécie, porque se presta a todo o tipo de façanhas só para poder dar uso ao seu pénis de desenho-animado. Este tipo específico de taradice tem um nome, que é "homem".

Já as princesas, purinhas, virgens, alvas e sem mácula, estão sempre numa encrenca qualquer, coitadinhas. Quem é a besta que aceita comer maçãs oferecidas por uma velha que tem uma verruga com um nariz por baixo? Estão mal porque se puseram nessa situação!

Claro, os miúdos vêem aquela bonecada e pensam "Uau, ele tem uma espada e mata dragões" e as miúdas pensam "Uau, ele é um valentão que está disposto a todo o tipo de atribulações só para poder jurar amor eterno à sua amada que ou acabou de conhecer ou nunca viu antes. Um dia eu vou arranjar assim um príncipe para mim e vamos ser tão tão tão felizes juntos!".

Lamento estragar aqui o mito, mas o príncipe só quer é sexo.
Reparem na Bela Adormecida. Está lá na torre, guardada pela bruxa ou o lá o que for. Ele nunca a tinha visto antes, com certeza não foi lá só porque sim ou só porque a queria salvar. Não. Nenhum homem vai sequer a um encontro arranjado por um amigo sem antes perguntar "Ela é boa? Mas tens a certeza?".
E então aqui havia de ser diferente? Ele lá se ia atirar assim cegamente para os braços daquilo que poderia muito bem ser um cavalo com uma peruca loira? Claro que não!
Lá o intermediário dos contos de fadas, chegou à beira do Príncipe e desenrolou-se algo deste género:

- Então Sr. Príncipe, está melhor do herpes?
- Muito. Que tens hoje para mim?
- Acabei de saber que uma beleza exótica está cativa numa torre não muito longe daqui. Está sobre um feitiço que a pôs a dormir, portanto nem tens que preocupar com o cortejo, é so mesmo chegar e afinfar.
- Mas ela é boa?
- Claro, só arranjo informações de qualidade!
- Tens a certeza? A Branca de Neve também era uma beldade e era muito liberal... E afinal tinha bigode e pêlos no sovaco.
- Isso foi uma vez!
- A Cinderela, disseste tu "Boa todos os dias, e gosta de fazer tudo no leito". Afinal vai-se a ver e estava cheia de manchas de lixívia nos braços e nas pernas de estar sempre a esfregar o chão.
- Bom bom, pague só metade então, no caso de afinal ela ser um abrolho.

E o príncipe lá vai, mata a bruxa e encontra a princesa a dormir. Não é amor que o move, é a libido. E é essa mesma libido hiperactiva que o leva a beijar a princesa boazona que se encontra convenientemente inerte. Esta acorda e o príncipe imediatamente pensa "foda-se!".

Grandessíssimos paspalhões. Estragam a vida aos homens pelas ideias que metem nas cabeças das mulheres. De que um homem a sério usa capa, espada e mata todo o tipo de aberrações só para professar amor eterno.
Claro que sim. Ele quer professar amor eterno até ao momento em que as cuecas da Bela já estão no chão. A partir daí ele só quer montar no seu unicórnio de novo e arranjar outra princesa para amar com força.

Estes contos de fodas, perdão, fadas, só serviam para criar aquela ilusão do bonito que é o amor. Melhor faziam se nos mostrassem a realidade. Que a Rapunzel tinha problemas de higiene porque não conseguia encontrar bacia suficientemente ampla lavar para tanto cabelo e que o Príncipe só queria aquilo que qualquer homem pensa a cada 8 segundos.
O tipo chegou ao ponto de se disfarçar de batráquio e dizer à Princesa "Dá-me cá um beijinho que eu sou um Príncipe amaldiçoado". Não via esquema mais idiota desde o abrir um buraco no fundo do balde das pipocas, enfiar lá o pénis e depois oferecer à miúda do lado.

Em vez disso andam a formar rapazes que adiam a intimidade até "encontrarem a sua princesa" e raparigas que se queixam "Quando foi a última vez que mataste um ciclope por mim?!".

É por estas e por outras que eu só via o "Rambo III".

domingo, 4 de outubro de 2009

Nojo

Não existe palavra que melhor descreva o meu sentimento perante aquele negócio que se anda a desenrolar, a altas horas da noite, na Sic Mulher.

Assim começa mais uma rubrica ninja, que tentarei repetir no futuro, pois material não me falta. Refiro-me à rubrica "Programas tipo bróculos". Tentarei, com um rigor assertivo, expor aquilo que no meu prisma de visão, me parece um crime estar sequer a passar na televisão com a designação de "programa". Bróculos, porque ninguém no seu perfeito juízo gosta desse vegetal que os demónios usam como desodorizante.

O programa de hoje, é o "Talk Sex With Sue".

A Sue é esta senhora:


Durante um zapping, capturei durante uns milésimos de segundo uma imagem semelhante a esta, e o meu corpo deixou imediatamente de responder. Fiquei numa espécie de transe, em que estava completamente consciente, mas não conseguia controlar nenhum músculo. Nem as pálpebras. O meu corpo ficou completamente rígido e imóvel. Vulgo "estado-de-choque".

Esta senhora é a anfitriã de um programa que fala abertamente sobre sexo. Fosse ela 200 anos mais nova, e não tinha nada contra, até aplaudia. Mas ela não tem menos 200 anos, ela tem sim mais 400 em cima dos seus já 1700. Foi ela quem orientou os Reis-Magos em direcção a Belém, e lhes explicou onde ficava o clítoris.
Esta senhora, supostamente, é um supra-sumo da anatomia sexual de ambos os géneros, e ainda domina amplamente a psicologia da mesma área. Supostamente. Porque ela não faz a mínima ideia do que está para ali a dizer. Só que a Sue, fala com uma altivez e segurança que parece mesmo que sabe do que está a falar.

As pessoas ligam porque tem graves problemas disto ou daquilo, ou só querem tirar dúvidas. Ao longo do programa, comecei a reparar numa certa consistência de "falta total de lucidez" no que diz respeito à relação que os homens tem com vibradores.
Uma mulher liga para lá, porque tem um "Mr. Pleasure 25 inches" em casa e o marido não acha piada. Os conselhos dela são do mais estapafúrdio que alguma vez no planeta Terra alguém se poderia lembrar. Senão note-se o conselho que ela deu à tal mulher que ligou a pedir ajuda neste assunto:

"Tem que introduzir (?!) o vibrador na sua relação sexual, mesmo que ele não queira! Ligue-o e passe-o pelo corpo dele! Os homens ADORAM. Sim, claro que tenho a certeza! Passe-lhe pelo pénis, pelo recto, testículos, no espaço entre os dois anteriores, nos sovacos, nos mamilos... Em todo o lado! Vai ver que ele vai ficar tão excitado que só vai querer rasgar-lhe a roupa toda."

Então não é? Quem me dera a mim ter uma relação semi-homossexual, completamente perturbadora, com uma pila de plástico cheia de veias salientes. Nada me faria mais feliz. Só mesmo se o pudesse levar a jantar, aí então era o êxtase.
Mas a mulher sabe o que está a dizer?! É óbvio que não. E depois, insiste em pronunciar exagerada e repetidamente as palavras penis e rectum.

E quem liga, tem cá uns daqueles complexos...
Como aquele que ligou a perguntar se era errado masturbar-se a ver um filme pornográfico que ele comprou, porque a mulher só faz sexo com ele uma vez por mês. Vou arriscar um "não, e arranja uma mulher e não um frigorífico".

E claro, a outra senhora que perguntou se por ter sexo anal era possível engravidar.
Quando eu já estava a achincalhar mentalmente a mulher, não é que a resposta dela é "pode acontecer porque quando vocês o fazem, tu estás à doggy-style e se ele ejac"...
Não tenho coragem de continuar porque isto é demasiado nojento até para os meus padrões. Digamos apenas que no entender dela podia existir gravidez ela se mantivesse naquela posição e ele ejac... Não tenho mesmo coragem.
E uma mulher com 2100 anos NÃO DEVE em nenhuma circunstância conhecer o termo doggy-style. É que isso nem sequer existia antes de expirar o prazo de validade dela, o que deve ter acontecido à cerca de 2050 anos.

Não esquecendo também a senhora que liga porque o namorado gosta que ela lhe faça sexo oral, mas ele apresenta um odor desagradável no pénis.
Sue, se não te importas vou tomar iniciativa de responder a esta:

DIZ AO TEU NAMORADO PARA SE LAVAR, OU ARRANJA UM QUE NÃO GOSTE DE VIVER COM O MESMO NÍVEL DE HIGIENE DO QUE UM CAMIÃO DO LIXO!

Termino como comecei: nojo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sei que me vou odiar mais tarde, mas...

Outro dia estava com problemas de Internet. Como sou uma pessoa com classe, contactei a empresa via o seu fórum, visando insultar alguém que não tinha culpa nenhuma e só trabalhava lá.
Deixei a minha mensagem, com os habituais "isto é inadmissível, já tive melhor recepção em Saturno usando serviços da concorrência, deviam ter vergonha" etc.

Dois dias depois, recebo uma mensagem de um utilizador eufórico e com problemas idênticos. Aparentemente, ele tinha a solução para mim. Vou encurtar a mensagem, para expor só as partes principais. Ela está tal como ele a escreveu, e toda ela é verdadeira:


"RECLAMA PARA LA , MAS RECLAMA A SERIO TIPO 50 VEZES VAIS VER QUE FICAS COM NET HA BORLA COMO EU.

LIGUEI A UM DOMINGO 53 VEZES , TIVE TODA A NOITE 2 MB , 3MB , AS 08.10 DE SEGUNDA AINDA TINHA ESSA VELOCIDADE.

AS 08.20 LIGA O TECNICO PARA O DESPITES , E JA TINHA OS 10MB, EU DISSE-LHE ASSIM

CITO , SR TECNICO O CLIENTE NAO ESTUPIDO ALGUM , NAO FACAM DE MIM PARVO PORQUE SEI QUE HA 10 MINUTOS ANTES DE ME LIGARAM PUSERAM ISTO A FUNCIONAR COMO DEVE SER.
QUANTOS DIAS VAI FICAR BOM DESTA VEZ .
SEI PORQUE ESTAVA A TESTAR ANTES DE LIGARAM , TODA A NOITE E O FIM DE SEMANA NESTA PORCARIA DE VELOCIDADE E QUER VER QUE EM 10 MINUTOS E RESOLVE ISTO

E O TECNICO ASSUMIU QUE HAVIA UM PROBLEMA NA ZONA

ENTAO FALEI QUE TEEM DE FAZER O DESCONTO

PASSARAM PARA AS FACTURAS E A GAJA LEU O RELATORIO DO TECNICO E VOILA DESDE JANEIRO 2009 INTERNET HA BORLA E ESTAMOS EM AGOSTO

LIGO UMA VEZ POR MES PARA FAZEREM O ACERTO DA NET.(PORQUE ELES ESQUECEM-SE
AGORAS TENHO 4MB AS VEZES 5MB , MAS NAO PAGO

PALAVRA DE ORDEM :QUE RECLAMA ATE HA EXAUSTAO 16990 PORQUE FUNCIONA , COMIGO FUNCIONOU
RECLAMEI TANTO QUE O SUPERVISOR SE OFERECEU PARA CANCELAR O MEU CONTRACTO COM FIDELIZACAO

RECLAMA QUE FICA HA BORLA"


Ora bem, apesar das óbvias boas intenções do indivíduo, não pude deixar de reparar em certas particularidades.

Este senhor passou uma noite inteira, de caneta e papel em riste, a marcar traços. Contando o número de vezes que ligou para o apoio técnico. Número esse que atingiu o número exacto de 53 vezes. Não foram para aí 50, foram 53 (ponto).
Acrescido, durante a noite em questão e para além disto, escreveu um relatório pormenorizado em que indica a velocidade da sua Internet e as horas da ocorrência. Velocidade essa que era de 3Mb, precisamente às 8:10h da manhã. Muito provavelmente após uma longa noite pressão psicológica.
Sim, porque se ele não escreveu um relatório, e se lembra que em Janeiro (e nesta altura era Agosto), das horas, velocidades, o número de vezes que ligou para o apoio, e ainda se lembra o suficiente para citar o que disse ao técnico... Então isto ainda é mais estrambólico do que se perfilhou.

E não se esqueceu de falar no desconto. Note-se como não disse "não me forneceram o serviço, não pago". Não. "Eu pago se me derem desconto", assim está bem. Não sou de estereotipar (até sou), mas isto foi mesmo à bom Português.
Já para não falar do "HA BORLA". Não me vou referir aos erros gramaticais, isso não faz de ninguém mais pequeno que outro, mas a "BORLA" definitivamente fá-lo mais "TUGA".
Mas vai daí até não, porque note-se que até empregou vocábulos técnicos estrangeiros em "A GAJA LEU O RELATORIO DO TECNICO E VOILA".
Retiro o que disse.

Mas não se ficou por aqui. Ainda liga uma vez por mês para lhe fazerem o "ACERTO DA NET". Ora e porquê? "PORQUE ELES ESQUECEM-SE".
Ora pois claro que sim. A empresa em questão, tem funcionários cuja única função estar em frente a uma tabela computorizada, com o poder de "acertar" a velocidade dos milhares de utilizadores que estão com ela incorrecta, e castigar aqueles que lhes apetecer. São deuses cibernéticos. Já os imagino lá no seu cubículo a dizer "Ah vais ver porno e és casado?! Já te lixo! Fica já sem net!". Carregam num botão e já está. De certeza que é o que acontece. E aposto que se divertem imenso. São aqueles que nos cancelam a ligação quando estamos mesmo quase a concluir a declaração do IRS e não gravámos antes.
Já no caso dele, como refilou, o caso muda de figura. O mesmo funcionário está lá e de repente lembra-se "Ei, não fiz o acerto do Sr. X por esquecimento! Fiz de tanta gente, como é que me fui esquecer! Estamos tramados, vai ser outra longa noite! Deixa-me já tratar disso antes que ele ligue!".

Mas ele provavelmente liga na mesma. É que eles esquecem-se.

De certeza que este indivíduo também usa um chapéu de papel de alumínio, para o Governo não lhe ler o pensamento e só come enlatados para não correr o risco de ser envenenado pela D. Genoveva do Super-Mercado, que não engana ninguém e é da P.J.

Estou a ser mauzinho, e muito, eu sei. A intenção dele foi genuína e generosa, portanto acho melhor deixar aqui uma mensagem pessoal para finalizar.
Cá vai.

Caro utilizador, que no teu perfil do fórum tens a informação:

Grupo: Members
Posts: 12
Registado: 29-May 09
De: NA LUA
Membro No.: 1586

Não tenho a menor dúvida que é de lá que vens.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Nem à katanada gosto de lá entrar

A minha casa é a figura encarnada da Lei de Lavoisier: Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

Aqui em casa é igual. Nada vai para o lixo a não ser que seja mesmo necessário. Assim sendo, acumula-se tudo na cave.
É o único lugar do planeta onde a resposta à pergunta "Onde guardas as bicicletas?" passa por "Entre as armaduras do meu tetra-tetra-tetra-avô e a Arca-da-Aliança".
A quantidade imensurável de caixotes de plástico e cartão que "podem vir a dar jeito" definem as paredes da cave e, por esta altura, já vivem em simbiose com a própria casa. A amálgama de objectos inúteis encaixotados, móveis velhos e lixo, com o passar dos anos, fundiu-se com uma consola de jogos antiquíssima minha. Que apesar de, pela altura em que foi posta de parte, ser apenas uma caixa de plástico preta com botões e com os circuitos totalmente partidos e soltos lá dentro, foi também guardada, porque "um dia ia ser arranjada e eu ainda ia querer jogar nela de novo". Claro. Quem não ia ter saudades da época em que controlava um quadrado, que disparava rectângulos a outros quadrados. O "Guerras Geométricas" como eu lhe chamava.
Dessa fusão entre aquela escória plastificada e todo o resto de porcaria desnecessária, surgiu uma massa disforme e autónoma, que se enraizou nas fundações do edifício e que se diverte a jogar Tetris com os amontoados de caixas que lá são armazenados diariamente. Antes de os ingerir ruidosamente.

Qualquer objecto que se arrume por lá, se não for recuperado nas primeiras 24 horas, fica com as hipóteses de ser reencontrado reduzidas para cerca de apenas 10%.
Ao fim de 48 horas, a enorme massa de entulho mutante que lá habita, lança os seus braços (feitos de caixas e brinquedos antigos de praia) em volta dele e então é o adeus: já foi completamente assimilado pelo monstro.

Daí que eu abomine veementemente, quando me pedem a mim para ir lá abaixo ligar o esquentador.
Primeiro, porque os meus pais estão tão afeiçoados e são de tal maneira diligentes com as relíquias que por lá guardam, que mandaram instalar um scanner de retina à porta da cave. Em minha casa, é mais fácil roubar televisões, leitores de DVD, computadores ou qualquer outro electrodoméstico, do que uma termos de café com 40 anos.
E segundo, porque quem partiu a consola toda, obviamente fui eu, e ela gosta sempre de me cuspir telhas velhas de cada vez que desço ao seu covil.

O entulho mutante alicerçou-se de tal maneira, que quando eu ia a sair para a escola ouvia sempre:

- Diverte-te em Geometria, saco-de-órgãos!

E quando finalmente respondi que não tinha essa disciplina, uma telha saltou do telhado, na minha direcção.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ajuda-te a ti próprio primeiro...

Mas quem é que me manda armar em bom-samaritano?
Outro dia, na rua, começo a ouvir uns "excuse me, excuse me". Que para quem não sabe, significa "sou como um boi almiscarado e o meu telemóvel é da Nokia".
Menti, significa sim "tenho um couro cabeludo que parece uma couraça ferralítica".
Menti de novo, e esta piada já foi longe demais. Se não sabem o que quer dizer, peço desculpa, mas agora também não tenho tempo para explicar.
Onde é que eu ia? (Como se eu não soubesse, isto é escrito... Bastava ter olhado para cima em vez de me armar em estúpido). Ah sim, já me lembro! (Continuo a armar-me em paspalho).
Portanto, "excuse me, excuse me".
Voltei-me. Era um sujeito nitidamente estrangeiro, pois usava chapéu à cowboy, casaco laranja, e cheirava a pólvora e especiarias. Pensei eu que, sendo o mês Agosto, era um turista que queria pedir informações. Ávido de testar o meu inglês com alguém que o tinha como língua nativa, dediquei-me à causa e fui extremamente solícito:
"Oh yes, dear sir, how may I help you on this fine August day? Need directions? The local Cathedral is nearby, and so are some skanky, dirty prostitutes."*1

Estupidez descomunal. O tipo queria impingir-me um livro qualquer, que era uma espécie de Bíblia de uma seita que nunca ninguém ouviu falar. O gajo era extremamente simpático, e fartou-se de elogiar o meu inglês, que é francamente excelente. Ainda para mais sendo ele americano. Mesmo assim não me estava a convencer, como devem imaginar. Mas ele lá continuava a falar, tentando vender o seu peixe:
"Blá blá blá, we drink blood*2, blá blá blá, raping hamsters with forks*3, blá blá blá, we live on lego houses*4..." etc.
Um discurso que nunca mais terminava, durante o qual, para além disto, ainda referiu que me estava a oferecer o livro e que não queria nada em troca pois que estava a ajudar o pessoal que o produzia. Ah, e que usavam cuecas florescentes do Star Wars.
Este último argumento até me fez duvidar durante uns segundos. Mas, e adivinhando imediatamente, a minha namorada deu-me logo um tabefezito na nuca e eu acordei para a realidade. Além disso, só uso boxers.
Bem, o discurso continuou, insistindo que não queria nada pelo livro. Até o folheou e me explicou porque é que tinha imagens de cangurus a espancar astronautas com broas ou de homens só de galochas a regar vasos.

Quando aquilo chega a pontos em que eu já divagava sobre tomar uma dose fatal de estricnina a ter de o continuar a ouvir, finalmente ele termina e sai-se a pedir uma "small donation"*5. Já estava à espera... Queria insultá-lo, dizendo-lhe que tinha a inteligência de um nenúfar, mas ele provavelmente ia mostrar-me a imagem de um porco usando um como saiote e a fazer balet.
Obviamente que lhe disse que não havia "donations" para ninguém. Então, o tipo tem a audácia de me tirar de novo o livro e ir embora... Para voltar passado 30 segundos e me perguntar:
"Erm... About those prostitutes..."*6
Ao que eu respondi:
"I'll tell where, for a small donation."*7

Que péssimo dia para ter deixado as matracas em casa.


Traduções:

*1: "Sim, caro senhor, como posso ajudá-lo neste excelente dia de Agosto? Precisa de direcções? A Catedral está perto, assim como algumas prostitutas sujas e rançosas".
*2: bebemos sangue.
*3: violando hamsters com garfos.
*4: vivemos em casas feitas de Lego.
*5: pequeno donativo.
*6: "Erm, sobre daquelas prostitutas...".
*7: "Digo-te onde, a troco de um pequeno donativo".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pigmentos nacionais era o nome da loja

Gosto de me divertir a imaginar situações ridículas, com personagens patéticas. No outro dia lembrei-me de pôr um completo e assumido racista a trabalhar numa loja de decoração de lares:

Cliente: Boa tarde.
Funcionário Racista: Saudações arianas. Posso ajudá-la de forma nacionalista?
Cliente: Ahh, acho que sim... Mudei de casa, preciso de pintar as divisórias e mobilá-la. Gostava de ver de tudo um pouco. Podemos começar pelas tintas para pintar.
Funcionário Racista: Olhe, pode optar por esta aqui, chama-se Preto-filho-da-puta.
Cliente: ???! Ok... Essa é um bocado escura demais, não tem nada com mais... brilho?
Funcionário Racista: Ah, como a compreendo, a sra. obviamente tem bom-gosto. Também temos este amarelo-peido-à-chinoca, se calhar está mais do seu agrado.
Cliente: Não estou muito satisfeita com a ideia de pintar a minha sala com peido, mas a côr nem é má. Mas não compreendo os nomes das tintas.
Funcionário Racista: É só uma referência minha, para ajudar a distinguir. Essa côr é de deixar os olhos em bico... Isto é só uma piadita que digo sempre...
Cliente: Hilariante, por dentro estou às gargalhadas. Que mais têm?
Funcionário Racista: Bom, temos este vermelho-sangue-de-judeu, o azul-pólvora, que me faz lembrar os meus tempos de limpa-chaminés...
Cliente: Limpa-Chaminés?...
Funcionário Racista: Chaminés era o nome que nós dávamos aos indivíduos negros, e o limpa... Bom, acho que já percebeu. Daí que a pólvora me lembre...
Cliente: Já compreendi. Ouça, e se quiser pintar uma parede de côr diferente, dentro de uma divisória?
Funcionário Racista: Nem pense nisso minha senhora, cada quarto de cada côr! Senão que missogenia! Um quarto assim era um atentado para a nação.
Cliente: Ok, sabe, eu trato disso depois. Mostre-me o que tem de decoração por favor.
Funcionário Racista: Temos aqui esta estatueta que representa o Holocausto. Bons tempos. Como pode ver retrata um nazi a obrigar um judeu a comer brócolos e couve-flor. Um pouco áspero para um estômago mais fraco, mas uma bela obra-de-arte.
Cliente: Eu volto noutra altura.